Fui ao show do Djavan na última sexta-feira e saí de lá bem pensativa sobre palco, imagem e música.
Como diretora criativa na Mutum Studio, meu olhar vai direto para a tela. Fico tentando entender como o visual conversa com o artista. E o que mais me pegou ali foi que nada parecia exagerado. Os visuais eram lindos, mas sem aquela necessidade de gritar ou chamar atenção o tempo todo.
Tinha retrato, textura, silhueta, fotografia… coisas simples, mas muito bem resolvidas. Em vários momentos, parecia que o painel só ajudava a música a ganhar corpo, flutuando no tempo dela. Achei isso muito forte.
Hoje, no mercado de shows, parece existir uma pressão enorme para que tudo aconteça na tela ao mesmo tempo. Muita informação, muito estímulo. O Djavan me provou o contrário: o menos ainda é um superpoder.
Outra coisa marcante foi olhar em volta e ver tanta gente jovem cantando tudo do começo ao fim. Adolescentes mesmo. Um artista da geração dos meus pais, atravessando o tempo de um jeito tão natural. Acho que isso acontece porque existe verdade estética ali. Nada parecia uma tentativa forçada de "parecer atual". E, no fim das contas, ficou super contemporâneo justamente por respeitar a própria essência.
Voltei para a Mutum pensando que a imagem no palco não precisa gritar para ficar guardada na memória.
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